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EX-PREFEITOS DO MUNICÍPIO

Anísio Marques

 

HISTÓRIA DE SANTA HELENA

 

No dia 08 de outubro de 1.938 foi realizado um “mutirão” para descortinar o terreno da futura sede deste rico e promissor município. Muitos fogos de artifícios estrondavam sobre a espessura das árvores que estavam sendo derrubadas, e as vozes dos lutadores entoavam coros uníssonos de “VIVA SANTA HELENA”. À tarde, houve um animadíssimo churrasco, como símbolo de satisfação e de confiança na vitória do grande ideal.

 

A verdadeira história de Santa Helena está ligada a uma faixa de terra, próxima a Rio Verde, banhada pelos rios Verdão e São Tomás. Localizadas entre dois rios, havia, por volta de 1934, duas fazendas: São Tomás e Campo Alegre. Esta última, que era cortada por um ribeirão do mesmo nome, pertencia à fazendeira Narcisa da Costa Leão. À época, também já habitavam à margem do Ribeirão Campo alegre as famílias Bueno (com seus chefes Manoel, vulgo "Bem Bueno", João e Joaquina), Rodrigues da Silva ou "Modesto" (com José, Antônio e Wenceslau), Barros (com João, vulgo "Pancão", Antônio, vulgo "Cavú" e Lucinda de Jesus, apelidada de "Dica") e Martins (com Antônio, João e Quirino e outros).
Quase na barra do Ribeirão Campo Alegre com o rio São Tomás moravam os fazendeiros   Ambrozina Azevedo (e seus filhos Serafim e Antônio Heloi), dentre outros, e ainda, o professor Pedro Romualdo Cabral (o "Pedrão") que, além de conselheiro daquela região, atuava como uma espécie de guias às pessoas que passavam por ali. Nessa época, surge, proveniente de Buriti Alegre, o fazendeiro Custódio P. Vêncio. Com o propósito de adquirir terras, acaba comprando a fazenda de Dona Dica (Lucinda de Jesus).
Ele e os moradores da redondeza sonhavam com a fundação de uma cidade. Foi então que procurou Pedro Romualdo Cabral (o "Pedrão") e explicou-lhe que a região era muito deserta e precisavam de um local onde pudessem batizar as crianças daquele lugar. Custódio já tinha até o nome: iria se chama Santa Helena, que era a sua protetora. Iniciou-se, assim o trabalho para a criação da nova cidade. Custódio pediu apoio político ao então Deputado César Cunha Bastos (de Rio Verde) e Pedro Romualdo (que também era político), procurou entrar em contato com o Governador do Estado, Pedro Ludovico Teixeira, através dos seus líderes Dona Narcisa da Cunha Leão, Felipe Santa Cruz, Astolfo Leão Borges e Filogônio de Freitas.
A convite de Custódio vieram de Buriti Alegre Sebastião, João e Jacinto (família Ferreira), Leonel Ferreira de Ázara e José da Silva Galvão ("Zé Mineiro"). De outras localidades vieram Eni Conceição, Onias Borges do Prado, Agenor Borges do Prado, Pedro Carvalho, Adejar Ribeiro, Bráulio Campos, Antônio Silva e Jessé de Aguiar e Silva.
No dia 14/10/1943 surgiu o distrito de Ipeguary. Em 20/10/1948, o distrito ganhou sua emancipação, quando foi criado o município de Santa Helena de Goiás, em 01//01/1949

 

O município está localizado na microrregião vertente goiana do Paranaíba, no Sudoeste de Goiás. De terras relativamente planas, a região é de alta fertilidade. O município é uma força expressiva na produção agrícola de Goiás, sendo detentor de uma produção moderna, feita através de irrigação e mecanização. Destacam-se as culturas de algodão e cana-de-açúcar.
Santa Helena atingiu seu ponto culminante na economia do Estado nos anos 70 a 74, com a cultura de algodão e a utilização da mais moderna técnica do pais. As atividades de vendas de insumo modernos e a aviação agrícola, para aplicações e combates aéreos, foram muito disputadas e bastante lucrativas. Uma dezena de algodoeiras funcionavam dia e noite, atraindo trabalhadores. O movimento migratório tornou-se intenso e os problemas de ordem social foram surgindo gradativamente, após cada safra: desemprego e falta de recursos.
 

Conscientizados, os agricultores diversificaram as culturas, diminuindo assim a poluição do ar e das águas e recuperando o sistema ecológico. As indústrias de beneficiamento de algodão, responsáveis pela prosperidade do município, hoje estão em número bastante reduzido, mas continuam sendo uma das maiores fontes de renda, de emprego e de exportação.
Cortado pela BR 452 e pelas GOs 164 e 407, Santa Helena cultiva a tradição de danças de catira e quadrilhas, relembradas anualmente por ocasião das festas juninas. A Folia dos Santos Reis, realizada todos os anos desde o início do século, ainda é praticada tendo o acompanhamento de violas, cavaquinhos, violões, sanfonas, pandeiros, caixas e outros instrumentos

 

 

A ORIGEM DO NOME SANTA HELENA DE GOIÁS

 

Custódio P. Vêncio era devoto de Santa Helena, mas no início fora criado o distrito de "Ipeguary", pelo motivo de ser a cidade - naquela época simples povoado - banhada pelo Ribeirão Campo Alegre, que corta o Município na direção Oeste-leste. A palavra é de origem indígena e "ipê" significa "campo" e "guary" significa "alegre". Portanto, campo alegre.

Quando houve a emancipação, atendendo à opinião dos principais habitantes, registrado em cartório abaixo assinado dirigido à Assembléia Legislativa do Estado, voltou o nome escolhido pelo fundador. O Município foi criado com o nome de Santa Helena.

 

CUSTÓDIO P. VÊNCIO

FUNDADOR DE SANTA HELENA DE GOIÁS

Custódio P. Vêncio, nascido a 3-02-1896, na cidade mineira de Dores do Campo Formoso, ainda distrito do município de Uberaba. Faleceu em Goiânia no dia 17-06-1960. Seu féretro foi trazido para o campo santo da cidade que fundou.

Como se sabe, nenhum evento social pode ser realizado isoladamente. Surge então a nobre figura do Sr. Custódio P. Vêncio, fazendeiro radicado em Buriti Alegre, Estado de Goiás.

Em 1934 adquiriu aqui vasta área de terras. Sempre alimentava o ideal de fundar uma cidade, que receberia o nome de Santa Helena, em reverência à sua divindade protetora, segundo a sua fé.

Houve assim, a comunhão de pensamentos positivos em prol da germinação daquela semente que jazia no subsolo de muitos corações. Persuadidos pelo companheiro em quem confiavam, os amigos do Sr. Custódio também precedentes de Minas Gerais, aderiram-se à sua idéia e juntamente com as famílias dos irmãos Antônio e José Augusto; de José da Silva Galvão; dos irmãos Ferreira de Souza; de José Martins dos Santos; de Leonel Ferreira de Ázara e de outros, passaram então a colocar em prática a construção do novo município. Dentre estes visionários podemos citar as famílias: Maia de Freitas, Leal, Leal Magalhães, Parreira de Freitas, Pires de Oliveira, Arantes, Del'Acqua, Rodrigues de Castro, Borges do Prado, ribeiro da Cunha, Cruz Montes, Paniago, Alves Pereira, Alves Diniz, Marques de Oliveira, Avelino Borges, Alves Garcez, Arantes de Souza, Freitas Silva, Rego, Seabra Guimarães, dentre muitas outras famílias que enxergaram o grande potencial destas terras férteis e acreditaram no sonho do Sr. Custódio P. Vêncio e juntos fundaram uma das cidades mais produtivas do Sudoeste Goiano. 

 

Fonte: "Memórias de Santa Helena de Goiás", obra 

de grande valor cultural e histórico escrito pelo Professor 

Acadêmico, Escritor e Pesquisador Sr. César de Freitas Silva, publicado em 1980 pela (Unigraf )

 

 

 

 

 

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